
De repente desprega-se de uma mania, de um hábito ou de um costume. No meu caso em particular, desfiz-me de um hábito praticamente necessário para mim, o de escrever. Desde novinha sempre gostei de registrar as minhas ideias e invenções. Fossem elas em forma de desenhos aleatórios e artísticos e/ou desenhos de letras que compunham palavras, que geravam frases e construíam textos. Inventar e por no papel sempre foi a minha maior diversão, além de brincar de boneca quando pequena.
Por mais estranho que possa parecer, afastei-me de diversas coisas de que gosto e que sempre me fizeram tão bem, tão feliz. Passei bastante tempo distante desses “hábitos”. Um dia, conversei com uma amiga sobre várias coisas, inclusive sobre esse afastamento, e ela disse algo que achei interessante e não consegui esquecer. Disse assim: “a vida é como um jogo de vídeo game, existem várias fases e você só está passando por uma delas”. Passei dias refletindo sobre essa frase e comecei a considerar a ideia de “fases da vida”.
Sempre ouvia pessoas, como parentes e amigos, falando dessas tais “fases da vida”, mas nunca tinha levado a sério. Principalmente porque eles costumavam falar no tom de zombaria sobre minha adolescência referindo-se a ela como “fase aborrescente”. Só acreditava no que todo mundo dizia para finalizar as brincadeiras “no final, tudo passa”. Quando olhei por outro ângulo, notei que essas fases existem, são reais e todo mundo vive as suas. Parece que estou passando de fase, porque posso sentir o cheirinho de um novo começo. A saudade e vontade de voltar para os meus “hábitos”, abandonados há algum tempo devido as “fases da vida”, passam-me a ideia de que a próxima fase é muito boa. Cheia de cores, feita para repor as energias, assim como nos jogos de vídeo games.
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